O comunicador, as organizações e as redes sociais on-line.
Um artigo no site Meio Digital fala da mudança de paradigma com a internet: “Marcas eram, até então, entidades ‘envelopadas’ em uma enorme estrutura de proteção, sempre atentas a danos e arranhões. Essas corporações mantêm departamentos inteiros de RP e de assessoria jurídica para ‘apagar incêndios’ na imagem de seus produtos” (USER-GENERATED content, Meio Digital, 2007).
No entanto, não basta que a empresa disponha de meios legais e assessorias de comunicação a seu favor. As organizações não podem evitar que o contingente de usuários na web ressignifique, estilize, satirize ou ovacione sua marca, seus produtos ou serviços na rede: Hoje, o número de internautas é muito maior, e as empresas temem que os clientes assumam o controle sobre a marca, como em um tipo de “aquisição hostil” em termos de mercado (USER-GENERATED content, Meio Digital, 2007).
O consumidor está crescentemente participando da produção de conteúdos dos meios de comunicação e das corporações, das quais consomem informação, entretenimento, produtos e serviços. Antes das redes sociais, os formadores de opinião funcionavam basicamente de forma linear. Com as redes sociais on-line, os formadores/líderes de opinião são autorreferenciáveis. Como resultado dessa (r)evolução da mídia digital, o consumidor passa a constituir-se em comunidades, em um processo de “inteligência coletiva” como diria Henry Jenkins, o que vai além do pensar individual. O consumo de mídia, então, passa a ser um processo fundamentalmente social.
A imagem das organizações é crucial para o processo de faturamento, venda de produtos e serviços e também para o crescimento dos negócios. Atentar-se, portanto, para expressões da marca/produtos/serviços na rede não é mais uma questão de escolha, mas de necessidade. Trata-se de mais um papel a ser assumido pelo comunicador: gestor da imagem nas redes sociais, sendo capaz de avaliar a presença da marca e propor estratégias que deponham a favor das organizações.
O comunicador precisa entender a dinâmica de funcionamento desse universo e traduzir essa complexidade para a empresa se abrir para uma via de entendimento com consumidores.
Carol Terra é formada em relações públicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru), atua em gestão estratégica de comunicação organizacional e relações públicas, doutoranda e mestre em interfaces sociais da comunicação, ambas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). É autora do livro ‘Blogs corporativos’ (Editora Difusão). Edita o blog RPalavreando.
Referências
‘USER-GENERATED content é o consumidor na internet’.
Fonte: Nós da Comunicação.






